terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Há por aí uma escola

Com o Inverno a dar mostras das suas agruras é natural que, com o título desta mensagem, todos pensem estarmos a iniciar um texto sobre a escola mais famosa do país, a Alexandre Herculano. Não estávamos com essa intenção, mas é demasiado tentador não escrever duas linhas a respeito do que se tem vindo a passar. Os portuenses não são distraídos e sabem não ser de agora a falta de condições naquele edifício, gritante (gritemos, então: que vergonha!), para albergar um estabelecimento de ensino. Todos os anos é a mesma coisa, quando começa a chover, abrem-se os chapéus de chuva nas salas de aula, lá vão as televisões ao local, agitam-se os gabinetes da assessoria de quem se sente acossado, mas, novidade das novidades, ao menos este ano o tema chegou aos comediantes ("Ruínas Escolares. Trazer caderno, lápis, borracha e galochas"). Pode ser que o humor mordaz surta efeito, mas da chacota não se livra quem tem de construir o seu futuro assim, tão próximo da natureza, como dizem os animadores humorísticos. Todos nos rimos, mas ninguém acha piada! A escola abordada, originalmente, no título da mensagem, é a Escola de Arquitectura do Porto e, como um dos seus percursores foi o autor do projecto Alexandre Herculano, os temas acabaram por se imiscuir. Marques da Silva, para além de património arquitectónico, também edificou matéria humana. Foi com ele que Rogério de Azevedo estagiou e amadureceu como o modernista capaz de projectar, à distância dos anos 30, a Garagem do Comércio do Porto. À imagem de outros edifícios históricos da cidade, a sua localização não beneficia do terreno acidentado, característico da invicta, por isso é, demasiadas vezes, ignorado por quem passa. O Hotel do Infante Sagres, obra do mesmo autor, terá mais visibilidade, pois está numa cota alta, como que num pedestal e tem mais reconhecimento mediático, não fosse propriedade de um grande grupo económico e não  tivessem já lá ficado alojados os elementos da banda U2. O legado deixado pelo Arquitecto Rogério de Azevedo é extenso, mas deixamos estes dois apontamentos, como sugestão de observação mais atenta à zona envolvente ao túnel de Ceuta. Motivos não faltam para uma incursão pela baixa da cidade, por exemplo, na medalha apresentada, alusiva a Rogério de Azevedo, têm numa das faces um pormenor da zona da Ribeira, a qual, apesar do tempo chuvoso, é sempre uma opção válida. Para além dos nossos motes, deixamos ainda uma fonte inesgotável de boas dicas para um programa bem passado no Porto: Baixa.




Veja esta e outras medalhas, com mais pormenor, na nossa "montra" no Facebook

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