sexta-feira, 17 de março de 2017

Torralta

Assim, de repente, diríamos que há duas formas de abordar a Torralta, uma é a do ácido e corrosivo registo do jornalismo de investigação e para tal existirão "brigadas" mais competentes do que nós; outra é a da escrita ligeira do Monsieur d'Almeida. Todos aqueles que nos acompanham se lembrarão da demolição das torres da Torralta, em Tróia, com um simples toque do então primeiro ministro José Sócrates. Agora, poderíamos fazer uma série de graçolas, mas... adiante, escrevamos acerca da Torralta: o empreendimento mais conhecido deste grupo é o de Tróia e as razões são conhecidas, um projecto megalómano que acabou numa demolição transmitida para todo o país. Peguemos num prospecto do grupo, datado de 1973 e vejamos o que nos diz acerca do que estaria previsto para o investimento naquela região do país. "Terreno com um milhão quatrocentos e cinquenta mil metros quadrados. Projecto aprovado para 21.000 camas. Club-Hotel com 400 camas. Centros comerciais, restaurantes, apartamentos, moradias, piscinas, self-service, marisqueiras, cervejeiras. Garagem para barcos, campos de jogos, golf, cinema, teatro, praça de touros, hipódromo, marina." Ufa! A verdade é que uma parte destes intentos foi conseguida e Tróia chegou a ser uma referência europeia ao nível turístico, mas o país, na década de setenta, estava em mudanças severas e isso acabou por interferir em todo o processo de transformação daquele pedaço de paraíso. (Já lá estiveram?! Vale a pena, mas é inevitável imaginar toda aquela área sem toda a intervenção humana...) A Torralta acabou e deixou muitos amargos de boca pelo caminho, entre antigos trabalhadores, investidores e outros intervenientes no famoso processo. A Sonae assumiu a responsabilidade de devolver dignidade àquela região e a verdade é que conseguiu. Eliminaram-se as ruínas, recuperaram-se infraestruturas já construídas, não fosse algum do legado obra desse ícone da arquitectura portuguesa Arquitecto Tomás Taveira. Ao que parece, o dilema do grupo continua a ser o de conseguir taxas de ocupação aceitáveis nas épocas consideradas como baixas, mas, lá está, deixamos estes temas mais inflamáveis para que outros os abordem.



Uma curiosidade acerca da forma jurídica da Torralta Club Internacional de Férias, SARL. Segundo o que consta do prospecto em análise e ao qual a fotografia se refere a Sociedade Anónima por Acções foi constituída em 1967, com o capital social de 230.000.000$00 e para as actividades da Indústria Hoteleira, Turística e... Pecuária* :)

* ao que parece, o grupo tinha uma empresa, chamada de SNAPA, que se movimentava no mercado da pesca de arrasto, mas não deixa de ter piada a disparidade entre as áreas de acção. 

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