quarta-feira, 12 de abril de 2017

Engenho

A génese da Avon, empresa americana pioneira nas vendas de produtos de beleza com o auxílio de revendedoras, está carregada de engenho. O seu fundador, David McConnell, era um astuto vendedor de livros, no sistema de vendas "porta a porta". As vendas não corriam mal, mas tudo passou a ser bem melhor quando, num acto espontâneo de sedução - acreditamos nós - McConnell passou a oferecer, como brinde, pequenos frascos de perfumes às suas clientes. As vendas de livros dispararam e o jovem empreendedor, ao invés do que acontecia até então, passou a ser chamado a casa das suas clientes. A semente da sua próxima actividade estava lançada e não demorou muito a brotar e a transformar-se num negócio de milhões. David McConnell teve ainda o condão de atribuir à mulher americana de então responsabilidades impensáveis na altura. Estávamos em 1886 e era norma as mulheres ficarem em casa enquanto os maridos iam trabalhar, mas, com a oportunidade criada, a mulher passou a ter um rendimento e a contribuir para o orçamento familiar. O sistema pegou de estaca, a Avon cresceu e viu reproduzida a sua estratégia de vendas por outras empresas: Yves Rocher, Oriflame, LR, são apenas alguns exemplos das muitas existentes. A estratégia é similar à mais genuína das abordagens, mas estas empresas souberam acompanhar os tempos e fazem um uso muito eficaz dos meios tecnológicos à disposição para vender os seus produtos de beleza. Hoje em dia, as revendedoras continuam a andar de catálogo físico na mão, também terão o seu cartão de visita para deixar às clientes (veja-se o que consta da fotografia, em forma de calendário, um sucesso nos anos 80) mas agora também têm de marcar presença nas redes sociais. Novos desafios, mas também novas oportunidades criadas para as revendedoras e demais profissionais que dão vida a este tipo de empresas. 

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