terça-feira, 16 de maio de 2017

Clube Chapas

Sejam bem vindos ao fascinante mundo das chapas e deixem-se maravilhar pelo primor na execução de cada peça, pelo colorido, que prende a atenção e por toda a história presente. "O Saber do Passado para Segurar o Futuro", este é o lema do Chapas - Clube Histórico e Acervo Português da Atividade Seguradora, uma associação, sem fins lucrativos, constituída, por "gente dos seguros", com a finalidade de preservar todo o património que o sector das seguradoras vai gerando. As chapas metálicas estão fortemente ligadas aos primórdios das seguradoras e assumem-se como figuras centrais do espólio, mas este é bem mais diversificado e isto estará relacionado, com toda a certeza, com a extrema sensibilidade de Vítor Alegria, sócio fundador e presidente do clube, para com o património. A semente do projecto actual foi lançada aquando da iniciativa, perpetrada por três colegas da actividade seguradora, de agregar em livro as colecções mais completas de chapas do país. As sucessivas solicitações para apresentações da obra vinham sempre acompanhadas de salutares convívios, com outros entusiastas do coleccionismo e do património, que desafiaram os seus autores a irem mais além na iniciativa. O empreendedorismo presente no grupo fez com que não tardasse a aparecer o Clube Chapas e com este mais de 3000 peças e documentos angariados até ao momento. 



As chapas de seguro de incêndio e as chapas de seguro de automóvel são os tipos de peças que mais se destacam no acervo. Estas peças fazem parte da história dos seguros, mas, apesar de já não serem utilizadas directamente na actividade, continuam na berlinda e isto muito por obra e graça dos coleccionadores. Não admira a razão de tanto fascínio pelas chapas, os materiais e acabamentos utilizados eram de grande qualidade, a execução aprimorada e o trabalho gráfico ainda hoje deixa qualquer um rendido. Nem só da aparência se faz o furor destas peças, as chapas contam também a história do sector e esta vale a pena ser abordada, ainda que de forma muito superficial, como será normal em espaços desta natureza. Teremos de recuar até 1666 e ao período após o devastador incêndio de Londres para encontrarmos os primeiros sinais daquilo que começava a ser feito, de modo a encontrar soluções para salvaguardar bens e pessoas dos imponderáveis da vida. Acredita-se que os seguros tenham aparecido no seguimento da catástrofe londrina e que as chapas de incêndios seriam utilizadas para facilitar a articulação entre as corporações de bombeiros e as restantes organizações envolvidas no tratamento das ocorrências. As chapas eram afixadas no exterior das habitações seguradas, com indicação do número da apólice do segurado, facilitando assim todo o processo. Com o passar do tempo as chapas foram perdendo alguma importância nestas dinâmicas internas da actividade, foi-se criando outro tipo de logística, mas, qual sina dos imprescindíveis, passaram a ganhar maior visibilidade para a publicidade. Portugal bebeu muita desta sabedoria vinda de Inglaterra e viu muitas seguradoras serem criadas, utilizando as icónicas chapas de incêndio e as chapas de seguro de automóvel que agora fazem as delícias dos coleccionadores. As "taxas e taxinhas", tão portuguesas, afinal, impossibilitaram as seguradoras de continuarem a utilizar as chapas com fins publicitários e a natureza frágil dos materiais presentes nos automóveis modernos fez com que caíssem em desuso nessa vertente.


É infindável a diversidade de objectos existentes no espólio recolhido até ao momento pelos mentores do projecto. Destacamos um documento alusivo à seguradora Argus, sediada que esteve na cidade do Porto, mas valerá a pena fazerem uma visita ao museu virtual do Clube Chapas e, quem sabe, estabelecerem contacto com os seus dinamizadores no sentido de contribuírem para o seu crescimento. 

2 comentários:

  1. Excelente artigo sobre o Clube CHAPAS, um retrato fiel que consegue mostrar a missão desta associação sem fins lucrativos que já leva 6 anos em prol da defesa da história dos seguros em Portugal e tem como objectivo próximo criar o MUSEU PORTUGUÊS DO SEGURO. Obrigado ao autor do texto e parabéns pelo conteúdos presentes no blogue Monsieur d´Almeida, ou permita-me Md´A. Cordialmente Vítor Alegria

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    1. Caro, Vítor

      é sempre um gosto quando nos deparamos com colecções que, pela sua grandeza a vários níveis, estão prestes a passar para um outro patamar

      temos a certeza de que irão conseguir alcançar o objectivo e criar o Museu Português do Seguro e cá estaremos para lhe dar o devido destaque

      obrigado pelas palavras de incentivo

      Muito Atentamente

      Md'A

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