quarta-feira, 31 de maio de 2017

Herança patrimonial e histórica

Restaurar! Esta parece ser a ordem do momento e isto é verdade em relação a várias áreas. As ligações emocionais, a salvaguarda de memórias, a paixão e o gosto são as razões mais evidentes para alguém se dedicar ao restauro, mas haverá outras, mais implícitas, que serão de apontar também. Restaurar é contrariar o consumo desenfreado das sociedades contemporâneas, é reciclar e dar nova vida ao que já de si está valorizado pela passagem do tempo. Tudo o que aqui está escrito é bem patente no grande processo de restauro imobiliário a decorrer em algumas cidades do país. O aumento do turismo, os incentivos financeiros, a maior sensibilidade instaurada para com o património e a identidade, o próprio amadurecimento dos investidores ao perceberem a oportunidade de negócio no "velho", tudo isto se reflecte no Porto e nós podemos atestar da veracidade da afirmação. É impressionante a quantidade de imóveis em restauro na Invicta e não se pense que isto acontece só na baixa, pois os andaimes estão instalados por todo o lado e a cidade ganha uma nova cor. Nunca como agora se viram também tantos veículos antigos a circular pelas ruas da cidade, restaurados, lindos e os donos deixam transparecer a legítima vaidade, pois estão a exibir peças que se tornaram únicas. Aos carros juntam-se agora as motas antigas, recuperadas e a circular como em outros tempos. A prevalência parece ir para as motas de fabrico nacional, por isso é muito comum ver-se a Famel ou a Casal em desfile e conduzidas por jovens, o que acrescenta ainda mais importância ao momento. O que leva alguém a pagar tanto pelo restauro de um móvel antigo como pagaria por uma peça nova?! Tudo aquilo que aqui temos relatado, são as memórias, é a preservação de património e a paixão pela arte do restauro. Realizados por meios próprios ou delegados em verdadeiros artistas, o certo é que há restauros extraordinários e que dão sentido ao acto de inverter o impulso de compra do novo. 


E tudo começa assim...

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