quinta-feira, 29 de junho de 2017

Agência Portuguesa de Revistas

Para quem gosta de vasculhar montes de revistas e livros antigos o nome Agência Portuguesa de Revistas é bastante familiar. São inúmeros os exemplares que aparecem e dos mais diversos temas, como era característica editorial da Agência. Escrever sobre um nome tão importante pode ser uma longa história, mas não é isso o pretendido nestas linhas, aqui a condição é aligeirar. Ainda assim, há pontos que se tornam de referência obrigatória, como será o arranque do projecto, em 1947, na altamente referenciada à época, Rua Augusta. Um nome está associado à Loja dos Figurinos, espaço génese de todo o império e esse nome é Mário de Aguiar, um criativo, empreendedor, indivíduo fértil em ideias e com a qualidade de direccionar os ganhos do negócio para o reinvestimento. Aliado de um sócio, António Joaquim Dias, conhecedor dos processos do negócio, ousou pensar mais além e fundou a Agência Portuguesa de Revistas. O caminho fez-se de altos e baixos e nada disso surpreende, mas feliz aquele que percepciona as direcções impostas pelo mercado e as segue: uma agência de distribuição de revistas transformada em editora. "Os Três Mosqueteiros", "Plateia", "Mundo de Aventuras", "Risota", "Os miseráveis", "Famosas Estrelas de Cinema", Mãos de Fada" enfim, poderíamos referenciar os mais de cinquenta títulos, equivalentes à tiragem conjunta mensal de mais de um milhão de exemplares, números alcançados nas épocas áureas da APR nos anos cinquenta e sessenta. Talvez por a recuperação de imóveis estar na moda e haver muitas pessoas a quem só lhes interessa libertarem-se dos recheios antigos, há por aí uma imensidão de livros, revistas ou cadernetas de cromos à procura de novos donos. São de aproveitar as oportunidades e assim ficar com registos do melhor que se fez em Portugal na matéria editorial, com registos ímpares de banda desenhada, ilustração, adaptações de obras importadas, pioneiras cadernetas coleccionáveis para preencher com cromos, separatas de jornais, livros de bolso e tantas outras genialidades gráficas. Os anos oitenta, com a mudança de paradigma no negócio originado na procura do audiovisual em detrimento da leitura, acabaram por ditar o fim da Agência Portuguesa de Revistas e a abertura de um novo ciclo. Facilmente se encontram críticas ao panorama actual das editoras, mas conhecendo um pouco a história deste negócio, em Portugal, pensamos que serão amenizadas e alguma compreensão imperará perante os desafios impostos, em permanência, pelo mercado. 


Do conjunto de fotografias apresentadas, compiladas para uma partilha no Instagram, o destaque vai para as notas que a Agência Portuguesa de Revistas colocou a circular. Naturalmente, as notas apenas serviriam para o imaginativo "Banco da A.P.R.", que as aceitava de forma a retribuir com livros grátis a lealdade aos clientes. Era estabelecido um valor e quando o cliente coleccionasse um número equivalente em notas teria direito ao prémio estabelecido. Estes senhores eram muito eficazes a disseminar o bichinho das colecções :)

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