sexta-feira, 30 de junho de 2017

Ernestina Batalha vs José Franco

Região demarcada dos mestres oleiros, assim se poderia também chamar o pedaço de terra que separa a Ericeira de Mafra. A Aldeia Museu José Franco destaca-se a quem passa na estrada, na localidade de Sobreiro, engalanada com diversos símbolos de cultura nacional. Visitar aquele espaço é aceder a uma amostra etnográfica muito peculiar, pensada e criada por um homem, um sonho tornado realidade. José Franco recebeu de herança genética a arte de trabalhar o barro e muito honrou esse legado com o reconhecido talento alcançado, mas a história deste artesão vai muito mais além das suas peças. No início dos anos sessenta, José Franco começou a materializar um lugar de memórias, uma aldeia onde, em especial, as crianças pudessem aceder às mais diversas recriações do quotidiano saloio. O impacto foi nacional e, claro, as forças políticas, que foram passando pelos governos do país, fizeram questão de ver os seus nomes associados à obra. Lojas e oficinas decoradas com objectos reais, áreas com componente lúdica e a recriar as actividades locais, uma adega onde se servem iguarias e tantas outras atractividades compõem a aldeia temática que ainda hoje surpreende miúdos e graúdos.


Presépio da autoria de José Franco

Houve épocas em que o reconhecimento e valorização da arte de trabalhar o barro eram mais significativos. A datação não é precisa, mas dos anos setenta a noventa o negócio naquela região era rentável e diversos artistas faziam o seu sustento ao longo da Estrada Nacional 116, transformada em galeria aberta de arte popular. Complemento dos negócios associados ao barro, aquela via era também conhecida pela presença de alguns restaurantes que originavam romarias em busca das melhores iguarias. O antigo restaurante O Pinheiral representa bem esta complementaridade de negócios, entretanto extinto, reza a história que era um local de especialidades gastronómicas e animadas tertúlias, algumas até envoltas em algum secretismo ditado pelas conjunturas políticas vividas num Portugal em convulsão. Mesmo ali ao lado, estava localizado o atelier da artesã a quem o mestre José Franco gabava e promovia o pormenor das suas obras: Ernestina Batalha. Autodidacta, de um dia para o outro começou a trabalhar o barro e a surpreender todos aqueles que a rodeavam em ambiente familiar. A unanimidade perante a qualidade das suas obras, claro, levou a que em terra de pessoas dinâmicas depressa se criasse um espaço de trabalho, exposição e venda e o sucesso foi grande. Característica de alguns predestinados, tal como num dia resolveu começar a trabalhar o barro; em outro decidiu não voltar à arte que lhe deu nome na praça dos artistas. Se não teve o privilégio de alguma vez observar uma peça de Ernestina Batalha nós damos-lhe essa oportunidade com a partilha de uma fotografia ao pormenor e detalhe da artista. 


A perfeição no detalhe presente na obra de Ernestina Batalha

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