sexta-feira, 30 de junho de 2017

Vaqueiro

A Vaqueiro tem partilhado com todos nós a celebração dos seus noventa anos e nós temos muito gosto em participar da festa. A avaliar pela bem conseguida campanha, a marca colocou em boas mãos a execução da mesma e a mensagem parece chegar até ao mais ínfimo recanto das redes sociais. Para que tudo isto fosse possível nos dias de hoje já outros tiveram o mesmo arrojo comunicacional ao longo das nove décadas que compõem a história da Vaqueiro. Dá-nos um grande gozo termos a possibilidade de cruzar os dados referentes ao raro documento apresentado em fotografia - um parecer acerca da margarina - e a cronologia histórica partilhada na página da marca. No dia 31 de Dezembro, no longínquo ano de 1926, os Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho registam e formalizam o licenciamento para a comercialização da margarina holandesa Cowherd Vaqueiro, mas já em Novembro, desse mesmo ano, saía a terreiro uma carta do "ilustre professor e químico analista Charles Lepierre" a dar um parecer, altamente favorável, para o uso daquela gordura nas cozinhas das portuguesas. A ideia talvez fosse a de preparar o terreno para o lançamento da margarina, criar laços de confiança com o cliente, pois, na época, o mais comum era usar-se a banha e a manteiga para cozinhar. Outra estratégia utilizada para espalhar a palavra foi a utilização dos míticos caixeiros viajantes, homens e mulheres que tinham a função de percorrer os estabelecimentos comerciais para convencer os comerciantes dos atributos do produto. 


Parecer acerca da Margarina
Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho (1926)


Uma solução mais barata para realizar os cozinhados caiu que nem ginjas numa economia portuguesa debilitada. As guerras no mundo impediam que as relações comerciais continuassem todas saudáveis e a prosperar, mas, tal como nos dias de hoje, fecha-se uma porta; abrem-se várias janelas. A Cowherd Vaqueiro deixou de ser importada da Holanda para passar a ser fabricada no nosso país e, assim, um novo ciclo se iniciou. Os incríveis anos 50 foram propícios ao crescimento da Vaqueiro e a aposta na publicidade foi grande, por isso é comum encontrarem-se peças, interessantíssimas, aludindo à margarina do momento. Desde este período, a Vaqueiro, através do seu Instituto de Culinária, fez várias publicações, de modo a auxiliar as portuguesas a fazerem uma perfeita utilização dos seus produtos. "O Meu Livro de Pastelaria", "Livro de Receitas Básicas Vaqueiro", "Saberes & Sabores", "Cullinarium" e "Cozinha Rápida" são os títulos que prometem figurar nas melhores colecções de memorabilia relacionada como as marcas sólidas nacionais. 



Anúncio Vaqueiro presente no Suplemento da Eva (1955)

Parabéns e venham mais noventa!

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