sexta-feira, 7 de julho de 2017

Benamor

Ao pensarmos nas "pharmácias" de antigamente somos, imediatamente, assolados por imagens de senhores sisudos, com barba comprida e de prateleiras com frascos a borbulharem poções mágicas para o tratamento das mais diversas maleitas. Deixando fluir estes pensamentos mais primários, os trechos do filme fotográfico mental começam a ganhar outras cores e cheiros, os quais fazem parte de um imaginário colectivo. É muitas vezes do desconhecimento geral que alguns produtos tiveram a sua origem nas farmácias, enraizados que estão nas rotinas diárias e o Creme Benamor ou Benamôr é um desses casos. Lisboa. 1925. Estes são dados que os novos detentores da marca entenderam como fundamentais para continuarem a ornamentar as icónicas bisnagas metálicas, pois marcam-na no tempo e atribuem-lhe a identidade própria das marcas tradicionais.


Anúncio ao Benamor, 1952 (aqui republicitado pelos autores do blogue)

É certo que o creme Benamor já não se produz na farmácia, como nos seus primórdios, mas continua a sê-lo na fábrica que conseguiu fazer chegar os produtos até aos dias de hoje: a Fábrica Nally. A estratégia para a sobrevivência do negócio passou por fabricar os produtos de terceiros - a Nally foi a responsável pela materialização do primeiro protector solar português, o Bronzaline - mas com a recente entrada de novos sócios tudo se reformulou e a marca recebeu uma injecção, não só de capital, como também de uma nova visão de mercado. A ideia passará por colocar os produtos e marcas próprias que saem da Nally nas grandes casas mundiais da especialidade, mas isto para um nome que já foi o fornecedor oficial da Casa Real Portuguesa (Rainha D. Amélia, 1935) é, na realidade, "apenas" dar seguimento à sua vocação para estar presente entre os melhores dos melhores. 

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